Existem atualmente duas formas da escrita chinesa: a simplificada (usada na China continental e em Singapura) e a tradicional (usada em Taiwan, Hong Kong e Macau).

Depois de tomar o poder em 1949, o governo comunista chinês iniciou uma reforma da escrita que consistia em simplificar os sinogramas para facilitar sua aprendizagem e em criar um alfabeto fonético com letras latinas, o pinyin.

De mais de 50 000 caracteres existentes, 2 236 foram simplificados. É importante notar, portanto, que a existência de um "duplo tradicional" diz respeito apenas a uma parte dos caracteres.

50 000 caracteres é um número que assusta. Vale ter em mente que um chinês domina em média entre 3000 e 4000 caracteres. A história da escrita chinesa é muito longa, mais de 3000 anos. A riqueza literária é impressionante. Muitos caracteres não são mais usados. Com os 900 caracteres chineses mais frequentes, é possível ler 90% dos caracteres de um jornal. Esse número sobe para 97,97% com 2500 caracteres e para 99,48% com 3500 caracteres.

Os cursos deste site são baseados na escrita simplificada. A escrita tradicional é apresentada como uma opção para quem quiser aprender as duas formas de escrita. Os cursos foram concebidos para otimizar ao máximo essa aprendizagem. O princípio didático é apresentar a escrita tradicional como um prolongamento lógico do curso, integrada à progressão, para evitar ter de reaprender tudo. Cursos e exercícios são construídos de modo a lhe dar a capacidade de passar facilmente de uma escrita à outra.

Para otimizar a aprendizagem dos caracteres tradicionais, é preciso ter em mente que a simplificação seguiu certo número de regras. Para quem estuda chinês, vale a pena conhecer 3 delas:

1 - A simplificação recai sobre um componente de caractere e afeta todos os caracteres que possuem esse componente. Por exemplo, vimos o caractere que é composto por a boca e por o cavalo. O componente "cavalo" é uma simplificação de Assim, todos os caracteres que têm o componente "cavalo" terão a mesma simplificação desse componente:
                               etc.

O mesmo vale para o caractere (ver), que é a simplificação de e que reaparece como componente em certos caracteres:
                      etc.

Essa lógica permite aprender um grande número de pares simplificado ⇆ tradicional e acelera muito a progressão no estudo da escrita chinesa tradicional.

2- A segunda regra de simplificação interessante para o aluno é a substituição da parte fonética de um caractere chinês. Certos caracteres chineses, chamados "compostos fonossemânticos", são formados por uma parte que indica a ideia e outra que dá uma indicação de pronúncia (às vezes pouco evidente, dada a evolução da pronúncia do chinês). Por exemplo, o caractere zhòng "plantar" é composto, à esquerda, pelo elemento "cereal", que dá o sentido, e, à direita, por zhòng (pesado), que dá a indicação de pronúncia. Esse componente foi substituído por que se pronuncia zhòng (atingir um alvo) ou zhōng (meio).

Essa segunda regra é menos evidente que a primeira, porque é menos sistemática. Ainda assim, a lógica continua sendo de grande ajuda para quem estuda chinês e deseja aprender a escrita simplificada e a tradicional ao mesmo tempo.

3- A eliminação de um ou vários componentes. Por exemplo, o caractere "abrir" foi simplificado truncando-se o componente "porta", mantendo-se apenas , mais fácil de escrever. Essa regra de simplificação é mais fácil quando se aprendem primeiro os caracteres chineses tradicionais e depois os simplificados. Ela continua, porém, muito útil para o aluno, mesmo que ele comece pela escrita chinesa simplificada. O componente que resta dá uma indicação e facilita a memorização.

Por fim, existem outras regras de simplificação, mas elas não ajudam em nada o aluno. Não falaremos delas para não sobrecarregar o curso com informações inúteis.